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Desafio do Mês: À meia-noite |
Firmino João Lopes morreu à meia-noite daquele dia. A sua morte foi testemunhada por três pessoas. Cada uma delas a sentiu de maneira diferente.
Porquê? E quem são estas três pessoas?
*Modalidade: conto
*Limite: 350 palavras
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Desafio criado por: Dunyazade
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Enviado:
28-02-2010 0:04
Título: Uma morte à vista
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Registo: 27 Feb 2010
Mensagens: 0
Participações: 1
Local/Origem: Lisboa
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O relógio estava a dar as doze badaladas, quando vindo do nada Firmino João Lopes se engasgou enquanto bebia o seu brandy, quase como se estivesse a asfixiar, e estava, assim se deu a morte inesperada de Firmino. Na sala com ele estavam três pessoas, Catarina Silva, adorada sobrinha e única herdeira do seu tio Firmino, Teresa, a criada novata e, estava ainda na sala de estar o seu amigo de longa data Alfredo Costa. Ao vê-lo asfixiar ficaram os três perplexos, sem saber o que pensar, ou talvez sabendo até bem demais o que estava a acontecer.
Catarina ao ver o seu querido mas odiado tio a sufocar apenas conseguiu imaginar a sua conta bancária a crescer, passar a não depender do seu tio, o seu sonho tornado realidade. Teresa ficou chocada, sabia que ele era seu pai, toda a sua vida esperou que ele assumisse a sua paternidade, sempre sonhou ter o seu apelido, mas agora isso era impossível, ao vê-lo sufocar por mais chocada que tivesse ficado correu para ele e não se lembrando, agora do que fez, tentou salvá-lo, ou pensou apenas nisso com muita força, esperando que o seu sonho ainda se pudesse tornar realidade. Alfredo Costa, sabia que mais tarde ou mais cedo o seu amigo acabaria por morrer, era apenas uma questão de tempo, pois Firmino estava a ser ameaçado, chantageado, mas não conhecia o seu inimigo, tanto podia ser o seu melhor amigo como alguém que morasse naquela casa, ou então era alguém que tinha conhecido e que agora se estava a vingar, quem seria, mas não importava agora, ele estava morto!
Catarina começou a chorar, todos sabiam que ela não gostava do tio, será que estavam enganados? Ou estaria ela a chorar de felicidade? Teresa chorava agora ao lado do morto, do morto que nunca a chamou de filha, do morto que nunca a assumiu, chorava, pois nunca o ia conhecer como pai.
Alfredo chamou a polícia, sem se mostrar perplexo, mas sim aliviado, por tudo ter acabado.
A polícia veio, a autópsia mostrou envenenamento.
Um assassino ficou à solta.
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Uma morte à vista: Copyright © 2010 Joanita |
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| (350 palavras) |
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Estatísticas de votação para Uma morte à vista |
Votos: 4 Classificação média: 5.5 |
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Enviado:
26-02-2010 16:46
Título: Sensações
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Registo: 26 Feb 2010
Mensagens: 2
Participações: 1
Local/Origem:
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O cliente vai lendo o jornal, quase já desactualizado e bebendo a sua cerveja mais morta que viva e à temperatura ambiente.Faltam poucos minutos para a meia-noite de um dia frio e escuro de inverno.Firmino João Lopes varre o chão com a mesma ligeireza e intensidade de outros dias.Rosalina, sua esposa,com as mãos já gretadas e congeladas devido a baixa temperatura da água,lava a loiça acumulada de um dia intenso de trabalho.Chávenas, copos e pratos chocam entre si, completamente mergulhados em espuma branca e água turva.O casal Lopes à muito que pensa desistir desta lide diária de tantos anos e entregar o negócio a um dos seus filhos que actualmente se encontra sem emprego.Filho este que não está muito interessado neste trabalho, diz que não andou anos a fio numa faculdade para servir cafés e ouvir reclamações infundadas de pessoas mal humoradas e pouco cívicas.
Quando Firmino João Lopes tinha o chão completamente varrido e amontoado as beatas de cigarro, papeis, terra e outro tipo de lixo e se preparava para empurrar tudo isto para o apanhador e dar o seu dia por encerrado, entre no seu estabelecimento um meliante encapuçado que diz bem alto a frase "isto é um assalto".Este assaltante era magro, tinha roupas sujas e molhadas,tremia de medo ou de frio. DE arma em punho e em direcção ao Sr. Firmino exigia todo o dinheiro imediatamente senão disparava.O Sr.Firmino assustado, deixa cair a vassoura, o assaltante assusta-se também e dispara, atingindo o Sr. Firmino na cabeça e matando-o de imediato.
O assaltante não foge e aguarda pela policia, arrependido do seu acto pede desculpa a Rosalina perante o olhar incrédulo do cliente que lia o jornal.
Chegou a ambulancia e a policia, o assaltante é detido e pede desculpa a viúva.Diz que foi sem intenção e que estava arrependido, a viúva chora e treme tendo mesmo desmaiado, o cliente anónimo presta declarações e continua em choque.
Como um dia gelado de inverno se torna num Inferno.
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Sensações: Copyright © 2010 jow |
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| (329 palavras) |
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Estatísticas de votação para Sensações |
Votos: 5 Classificação média: 4.4 |
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Enviado:
23-02-2010 21:44
Título: (In)Justiça
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Registo: 18 Aug 2008
Mensagens: 0
Participações: 11
Local/Origem:
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00.00h
O coração de Firmino Lopes parou de bater. Deveria ter 7 anos.
Como paramédico, já estou habituado à morte.
Salvar alguém é a melhor sensação do mundo. Porém, na maioria das vezes, isso não acontece.
Mas para mim, sempre que alguém morre, é só mais uma pessoa. E isto não é ser egoísta ou insensível, é apenas a minha maneira de lidar com a realidade. Não posso misturar sentimentos nesta equação ou então arrisco-me a ir abaixo e a comprometer o meu trabalho.
Por isso, quando tive que dizer as piores palavras que se podem dizer a uma mãe e entrei para a ambulância, ignorei as minhas mãos trémulas, abstraí-me do que tinha acontecido e concentrei-me em coisas banais. Como a vontade que tinha de beber um café, o estado estranho do tempo, a necessidade de comprar uma camisa nova.
Não é justo.
***
00.00h
Boa, o puto morreu.
A minha vida acabou. É irónico dizer isto quando acabei de matar um miúdo.
E agora? O que é que me vai acontecer? Serei preso? Terei de pagar indemnizações exorbitantes? Provavelmente sim.
Mas eu não tive culpa! Talvez viesse em excesso de velocidade, mas nada de mais! Bebi umas cervejas, mas não estava bêbedo! A culpa foi do puto estúpido que se atravessou à minha frente sem mais nem menos! E da mãe dele também! Se ela fosse mesmo uma boa mãe, não o deixaria ir assim para a estrada! A culpa não é, de todo, minha! O miúdo morreu e arruinou-me a vida.
Não é justo.
***
00.00h
Não conseguia deixar de pensar nos últimos 30 minutos. Ainda me parecia irreal.
Desviei os olhos do meu filho por apenas uns segundos, e foi só quando ouvi o chiar dos pneus que me virei, com o coração apertado, e vi o Firmino estendido no chão.
O meu pensamento imediato foi que deveria ter sabido protegê-lo. Depois culpei o traste que o atropelou. Culpei ainda o próprio Firmino, pois ele sabia que não deveria estar na estrada.
E então, finalmente, assimilei o que tinha acontecido e percebi que culpar alguém não traria o meu filho de volta. Ele estava morto.
Aí, uma dor insuportável atingiu-me, e respirar tornou-se difícil.
Agora, sinto-me vazia e perdida. Este buraco negro que me preenche nunca mais poderá ser reparado.
Dizem que tudo acontece por uma razão. Pois bem, eu nunca irei entender qual a razão para a morte de uma criança inocente; nunca irei perceber o objectivo de tanta dor.
Não é justo.
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(In)Justiça: Copyright © 2010 JT |
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| (416 palavras) |
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Estatísticas de votação para (In)Justiça |
Votos: 6 Classificação média: 6.67 |
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Enviado:
04-02-2010 20:03
Título: Morte à meia-noite
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Registo: 12 Apr 2009
Mensagens: 93
Participações: 14
Local/Origem: Serra D'El-Rei
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Firmino João Lopes soltou um suspiro aliviado, como se a dor, por fim, o tivesse deixado em paz, antes do seu corpo ganhar a firmeza de um cadáver. Acompanhado naquele momento por duas mulheres e um homem, a sua morte fora testemunhada, não esquecida, marcante.
A senhora da casa e, sem saber, a senhora do coração que parara ao som das badaladas da meia-noite, tapou a boca aberta como se as suas mãos brancas e delicadas fossem uma barreira eficaz contra o grito vindo do coração que conseguira conter a custo. Lágrimas de pérolas soltaram-se a custo dos olhos azuis devido à incredibilidade da situação.
A governanta, alvo de boatos de bruxaria, com fundos de verdade e mentira, tapou os olhos firmemente com as suas mãos secas e marcadas pelo trabalho de limpar uma mansão a vida inteira, não para cortar a visão do corpo agora pálido daquele que fora um dia um menino daquela casa, mas sim para não ver a sua alma a abandonar aquele mundo, incapaz ainda de aceitar a verdade de tal acontecimento.
Por último, o homem que estava presente tremia. Tinha as mãos comprimidas contra as suas orelhas. Grossas lágrimas corriam na cara gémea do falecido. Queria abafar o som do choro das duas mulheres, queria fingir que também chorava pela morte súbita do irmão, não por ter sido quem desencadeara tamanha maldade. Agora que a ligação do nascimento se quebrara, sentia-se mais só do que alguma vez esperara. Agora que passara a viver na pele do irmão, a luxúria já não tinha tanto brilho, o desejo de morte já não era aguçado. Mas o amor que sentia por aquela que chorava desalmadamente por um ente querido era forte demais. Arrepender-se da morte do irmão significava arrepender-se do seu amor. Nunca o faria.
Com jeito de homem, afastou ambas da salinha de estar, da lareira acolhedora e da mesinha de vidro que apoiava o copo que executara a morte impiedosamente. Regressou despercebido para fazer desaparecer a sua magia. Depois, regressou para o lado do seu amor, começando a viver a vida roubada do irmão.
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Morte à meia-noite: Copyright © 2010 jopa |
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| (350 palavras) |
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Estatísticas de votação para Morte à meia-noite |
Votos: 5 Classificação média: 5.4 |
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